Preciso me encontrar

Nesse turbilhão de informações Que eu vejo todo dia. Que me faz dar gargalhadas, E chorar de agonia. Meu cérebro fica repleto De conteúdos incertos Tantas coisas sem serventia Coisas que gastam meu tempo Que me dão entretenimento Mas rouba de mim o meu dia.

Nesse turbilhão de informações 

Que eu vejo todo dia.

Que me faz dar gargalhadas,

E chorar de agonia.

Meu cérebro fica repleto

De conteúdos incertos

Tantas coisas sem serventia

Coisas que gastam meu tempo

Que me dão entretenimento

Mas rouba de mim o meu dia.

 

Eu pego o meu celular 

E de repente uma hora se passou.

O que fiz? Eu não Fiz nada.

Meu tempo  que acabou.

Como estou? acelerado!

Sempre, sempre acompanhado. 

Por milhares que nem conheço.

Que ditam o que vou vestir.

Os lugares pra onde sair.

O que posso e o que mereço.

 

Quando posto, fico muito ansioso.

Será que tem já comentários.

Quantas pessoas já curtiram?

Ou será que nem gostaram.

Mas tenho notado que…

Nesse turbilhão de informações,

Me perco em minhas emoções,

Para alcançar o like que você me dá.

Eu faço, me esforço e aconteço.

Limites eu desconheço.

Mas comigo… não sei lidar!

 

Essa é a grande crise que a vida moderna nos impõe. Afinal, essa poesia nasce da contemplação do ser humano que troca a vida real por uma projeção nas redes sociais. Infelizmente isso é muito comum nesta era globalizada onde tudo o que acontece rapidamente é compartilhado.

“Nesse turbilhão de informações 
Que eu vejo todo dia.”

Esse acesso a tantas informações, em sua maioria inúteis, causa um grande cansaço cognitivo. O dia se passa e nós nem sabemos o que fizemos com nossas horas, mas ainda assim estamos cansados, pois o nosso cérebro foi exposto a uma quantidade absurda de vídeos, fotos e histórias, e teve que processar tudo . Por conta disso estamos exaustos… Passamos horas fazendo a nossa mente trabalhar em informações de vida alheia que não nos trará nenhum benefício. Esse estado de alerta constante, sem saber o que realmente importa e o que é descartável, trazendo picos de adrenalina altíssimos, leva a fadiga no fim do dia.

“O que fiz? Eu não Fiz nada.
Meu tempo  que acabou.”

As redes sociais são projetadas para prender a nossa atenção pelo maior tempo possível, através de algoritmos que identificam o nosso gosto pessoal e as coisas que nos dão prazer. E entregam tudo isso pronto e resumido. Resultado, somos capazes de ficar horas e horas assistindo vídeos curtos que trazem assuntos de forma rasa, mas não conseguimos ler um livro ou assistir um documentário porque achamos chato e demorado. No entanto, o tempo roubado nas redes nos dão a sensação de que nada fizemos, não nos fazem crescer como pessoas nem como profissionais. Já a leitura, o estudo e o acesso a conteúdos mais embasados, conseguem estruturar o conhecimento de forma que realmente aprendemos. O tempo é uma moeda muito cara para ser gasta todos os dias e não nada em troca.

“Será que tem já comentários.
Quantas pessoas já curtiram?”

As redes se aproveitam muito da nossa necessidade de pertencimento e aprovação. Os likes, visualizações e comentários nos posts, desencadeiam uma dose de dopamina no cérebro e criando um vício em aprovação. Então deixamos de viver a vida como realmente desejamos e passamos a tentar alcançar uma métrica externa. Tudo o que fazemos é pensado se as pessoas vão gostar ou não. Nos perguntamos quantos likes isso ou aquilo pode gerar, e tentamos melhorar a nossa performance, a nossa fala, o nosso jeito de ser apenas para conseguir aplausos. Tudo se torna desejo de aprovação e não satisfação pessoal.

Por milhares que nem conheço.
Que ditam o que vou vestir.
Os lugares pra onde sair.
O que posso e o que mereço.

Nessa busca pela aprovação de milhares de pessoas desconhecidas não há espaço para defeitos, a não ser que o defeito traga comoção e likes. O normal é que todos se esforcem para criar um “eu” idealizado, perfeitamente adequado às tendências que as redes impõem. Essa mentira inventada para satisfazer o público acaba por trazer insatisfações pessoais e insegurança por não viver a vida real, ser apenas uma cópia. Também não nos permite ter uma identidade verdadeira, para vivermos segundo os nossos valores, trazendo futuramente muitos problemas como ansiedade, depressão.

Mas com o meu “eu”… não sei lidar!

Nesse turbilhão de informações nos perdemos em tantas coisas incertas. E na vontade de pertencer a esse universo acabamos por não zelar pela nossa identidade e então… Não conseguimos lidar com nosso choro, nossas crises e solidão. Os amigos das redes não dão o ombro amigo que precisamos, nem enxugam as nossas lágrimas nos dias de sofrimento. É necessário ter autocuidado, se importar com a saúde mental, ter projeto de vida e coisas que realmente se gosta sem precisar provar nada pra ninguém. Se esforce para praticar a solitude, um momento seu consigo mesmo para desfrutar de sua companhia e rever seus passos. Se puder, faça terapia para a regulação emocional, mas… Não viva o mundo como se as redes fossem tudo o que importa, pois uma hora ou outra, “você vai ficar na mão”!

  • Vivemos numa sociedade que grita para ser ouvida, mas se recusa a escutar.
    Ideias viraram armas. Diálogos, campos de batalha.
    E, no meio disso tudo, seguimos ferindo quem amamos — só para provar que estamos certos.

  • Sempre que me aproximo de uma questão, e a cada passo em que me esforço no pensamento e me dedico ao aprendizado, percebo o quanto ainda não sei.

  • É madrugada na roça
    Quarto e meia, cinco horas
    E o velho sem demora
    Liga o radinho de pilha.
    Ouve-se o som da viola
    Falando do homem do campo
    De suas dores, de seus prantos
    Suas paixões e histórias.
    O velho aumenta o volume
    A casa inteira acorda.

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