Na ânsia pela vitória em suas questões, o ser humano recorre a argumentos imperativos para que outros sigam suas ideias.
Por grito e por força, tentando vencer gritos e forças maiores, formamos uma sociedade onde todos aprendem a gritar para serem ouvidos — mas ninguém, de fato, deseja ouvir.
Cria-se uma guerra de ideias supremas, onde existe um único pensamento considerado correto, e todos os outros são tratados como absurdos.
“Você está errado!”
“Você está equivocado!”
“Que absurdo pensar desse jeito…”
Frases repetidas diariamente em conversas comuns, ditas com a naturalidade de quem já não percebe a violência que carrega.
As pessoas absorvem uma ideologia e passam a exigir que o mundo inteiro pense exatamente como elas. Para isso, o método mais recorrente é a força — quase sempre disfarçada de carinho. No começo, palavras suaves. Com o tempo, o desprezo e a intolerância tomam conta do diálogo.
Vivemos como se estivéssemos em guerra constante.
Contra a família.
Contra vizinhos.
Contra amigos.
Queremos provar, a todo instante, que estamos certos sobre ideias que sequer nasceram em nós, mas que nos foram implantadas por outros — também pela força.
Somos constrangidos a mudar de opinião. Em resposta, constrangemos os nossos a fazer o mesmo.
Por grito e por força, medimos a resistência de cada ideologia.
E nesse processo, vamos nos ferindo — e ferindo quem amamos.
Porque, no fim das contas, o mais importante parece ser apenas uma coisa:
estar certo.