Categoria poesias

O velho e o rádio

É madrugada na roça
Quarto e meia, cinco horas
E o velho sem demora
Liga o radinho de pilha.
Ouve-se o som da viola
Falando do homem do campo
De suas dores, de seus prantos
Suas paixões e histórias.
O velho aumenta o volume
A casa inteira acorda.

Coveniente

Conveniente

Certa manhã me olhei no espelho;
Aquele reflexo não era eu.
Era só um ser displicente
Que ser conveniente
Dia após dia aprendeu.
Tornei-me uma imagem esculpida
Pelas falas de um milhão de gente.
Pessoas que também sofridas
Por esse mal indecente.
De abrir mão de si mesmo
Por uma mera opinião,
Que tornam todos em nada
Um cego numa multidão.
Ouvindo um barulho infernal
Todos mostrando um sinal
Sem saberem a direção.

Aguas profundas

Eu que estava tão bem
me vi ser invadido
por pensamentos intrusivos
dos quais me tornei refém.
Era só uma conversa, um diálogo.
Mas a fala vinda do outro,
Me causou tamanho desgosto
E me trouxe a este meu lado.
Um lado sombrio, impaciente
Um lado raivoso, inconsequente.
Que me tira a razão

Solitude

A solitude é um momento de buscar conhecimento próprio.

Estar sozinho é bom
Agradável e reparador.
Viver sozinho é impossível
Sem pessoas e sem amor.
Mas se nos dias apressados,
Você viver descuidado,
E estar sempre acompanhado
De pessoas ao seu redor.
Terá uma grande dificuldade
De se amar de verdade
Por não suprir a necessidade
De ao menos um tempo estar só.

As pessoas nos dão carinho
Às vezes amor e atenção.
Mas isso não supre as carências
Presentes no coração.
Cada ser precisa de si,
Um tempo para refletir,
Para encontrar enfim,
Paz e direcionamento.
Pois quando sempre acompanhado
Por aqueles que são amados
Você se sente tentado
A seguir seus pensamentos.

O menino de mandado

João sonhava em ser professor

Ele era de um bairro simples e bonito

De um povo alegre e unido

Ligados por amizade e amor.

E João na sua infância,

Era uma excelente criança 

Obediente e educado.

Todo o povo o amava

E com carinho lhe chamava:

O menino de mandado.